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04/11/2005 A Votorantim Celulose e Papel (VCP) anunciou ontem um passo fundamental em sua estratégia de expansão e alcançar US$ 4 bilhões de faturamento em 2020. A fabricante de celulose e papel da família Ermírio de Moraes começará o processo de licenciamento sócio-ambiental para a construção de uma unidade industrial de produção de celulose branqueada de eucalipto no Rio Grande do Sul. O investimento poderá chegar a US$ 1,3 bilhão. A fábrica deve ser implantada na metade sul do Estado, com capacidade para produzir 1 milhão de toneladas por ano. A previsão é que entre em operação em 2011, quando ocorrerá a primeira colheita das florestas plantadas pela empresa na região desde o ano passado. A VCP tem um plano estratégico de quadruplicar sua receita bruta, dos atuais US$ 1 bilhão, em 2020, quando prevê atingir 4 milhões de toneladas anuais de celulose e 2 milhões de toneladas anuais de papel. Neste ano, a companhia deve produzir 1,4 milhão de toneladas de celulose, das quais 800 mil toneladas serão consumidas para a fabricação de papel. Mas a meta prevista no plano estratégico poderá ser antecipada. O comunicado foi feito pelo presidente da VCP, José Luciano Penido, ao governador gaúcho Germano Rigotto (PMDB), no Palácio Piratini. De acordo com Penido, a terceira fábrica de celulose da empresa no país - as outras duas situam-se no Estado de São Paulo - terá a produção destinada exclusivamente ao mercado externo, especialmente para a Europa, a Ásia e os Estados Unidos. Em sua estratégia de crescimento, em 2004, a empresa adquiriu 50% do controle da Ripasa, de São Paulo, em parceria com a Suzano Papel e Celulose. Segundo o executivo, a decisão de construir a fábrica no Estado já está tomada, mas a aprovação ainda terá de ser confirmada pelo conselho de administração da companhia, previsto para 2009. Até lá, depois da licença ambiental que deverá levar dois anos para ser obtida, a empresa ainda irá elaborar o projeto de engenharia do empreendimento. A construção deve demorar dois anos, gerando cerca de 8 mil empregos. Quando estiver operando, ela terá cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos. "Ainda não estamos anunciando a construção da fábrica porque não podemos fazê-la sem antes efetivar todo o processo de licenciamento sócio-ambiental como exigido por lei", afirmou o presidente da VCP. Segundo Penido, a fábrica da VCP será instalada em um município do "eixo" Pelotas-Rio Grande-Arroio Grande. O investimento não está atrelado à concessão de incentivos fiscais por parte do governo gaúcho. Os fatores que mais pesaram para a escolha foram a disponibilidade de terras planas para o plantio de eucaliptos e a infra-estrutura de logística, em especial a proximidade do porto de Rio Grande, segundo a empresa. Até o fim deste ano, a Votorantim estima fazer investimentos de R$ 310 milhões no Rio Grande do Sul, a contar do início de 2004, na aquisição de 67 mil hectares de terras em 14 municípios da metade sul, no plantio de eucaliptos, construção de viveiro e contratação e treinamento de pessoal. A companhia tenta ampliar a parceria de fomento florestal no Estado. A VCP tentou negociar com o MST um acordo para que assentados no Estado pudessem plantar eucaliptos e obter renda extra. Mas o movimento recusou a proposta formalmente, embora tenha dado liberdade para quem quisesse aderir à proposta. O anúncio da VCP ocorre menos de um mês depois que a empresa sueco-finlandesa Stora Enso também confirmou a "decisão estratégica" de construir uma fábrica de celulose no Estado. A empresa vai adquirir, neste ano, 50 mil hectares para plantio de eucalipto e pinus também na mesma região e uma área idêntica no Uruguai, com investimentos totais de US$ 100 milhões. A intenção da Stora Enso é chegar a 100 mil hectares em cada região nos próximos anos e a "decisão formal" de construir a fábrica deve ser tomada até 2009, disse, à época, seu presidente para América do Sul, Nils Grafström. Conforme a empresa, o eucalipto leva sete anos para chegar ao ponto de corte no Brasil, metade do tempo necessário na Escandinávia. O custo de produção no Brasil fica em US$ 70 por tonelada de celulose, contra US$ 142 na Finlândia. O Rio Grande do Sul segue ainda na disputa por uma nova fábrica de celulose que a Aracruz, sócia da Stora Enso na Veracel, fábrica localizada na Bahia, pretende instalar no país nos próximos anos. O plano prevê a construção de uma unidade também com capacidade para produzir 1 milhão de toneladas por ano para exportação e investimento de US$ 1,2 bilhão. A Aracruz já tem uma unidade em Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre, a antiga fábrica da Riocell que possui capacidade para produzir pouco mais de 400 mil toneladas por ano, além de mais de 40 mil hectares plantados com eucalipto no Estado. Aracruz é o próximo alvo, diz analista Analista do UBS avalia que a Votorantim pode dar uma grande tacada em 2007. "Acredito que a VCP provavelmente irá fazer uma oferta pelo controle da Aracruz no futuro", diz Edmo Chagas, especialista em papel e celulose do banco. Ele menciona essa possibilidade em relatório distribuído anteontem aos clientes, antes do anúncio do novo investimento da VCP. Desde 2001, a família Ermírio de Moraes, dona do grupo Votorantim, faz parte do bloco de controle da Aracruz Celulose, quando pagou US$ 380 milhões ao grupo Anglo American, sediado em Londres, por 28% das ações ordinárias. A aposta do analista do UBS é que a proposta da VCP para a compra viria ao fim da vigência do atual acordo de acionistas, que envolve também o grupo Safra e a família Lorentzen. O acordo vence em 2007. Caso ocorra a compra, a VCP anteciparia em mais de uma década sua meta fixada no planejamento estratégico para alcançar 4 milhões de toneladas de produção de celulose em 2020. A Aracruz deve chegar a 3 milhões de toneladas de celulose este ano. Recentemente, a VCP modificou sua estrutura organizacional, criando um cargo para analisar fusões e aquisições (F&A). Foi escolhido para ocupar a função de planejamento estratégia e F&A da companhia o executivo José Guilherme Gomes, ex-gerente de planejamento estratégico da Votorantim Participações, a holding que reúne os negócios do grupo. Mas Chagas faz ressalvas em relação ao negócio. "Mantendo a opção pela compra da Aracruz, a VCP está sacrificando o crescimento de curto prazo", disse. Em seu relatório, ele manifesta preocupação sobre desempenho das ações da VCP e de outras empresas de papel e celulose, inclusive a Aracruz. Por conta do crescimento nos custos, valorização cambial e mudanças nas expectativas de volume e preços, o analista do UBS reduziu as estimativas de lucro das empresas do setor. Em vez de um lucro de R$ 905 milhões, ele acha que a VCP lucrará quase 30% a menos, ou seja, R$ 636 milhões em 2005. No caso da Aracruz, a previsão este ano cai de R$ 1,33 bilhão para R$ 1,24 bilhão. O analista vê um desafio para o setor, que enfrentará uma supercapacidade de produção de celulose nos próximos anos. Na América Latina, estão previstas novas linhas de produção desta matéria-prima por parte das chilenas CMPC e Copec, a espanhola Ence, a finlandesa Metsa e a brasileira Suzano. |
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www.defesabiogaucha.org/noticias/not04112005.htm