Florestas se fortalecem com o aumento dos níveis de CO2

19/12/2005

      A produtividade florestal pode aumentar significativamente em uma atmosfera enriquecida com dióxido de carbono, de acordo com novos estudos que desafiam relatórios recentes que questionam a importância da fertilização das florestas por dióxido de carbono.

      O estudo, realizado por pesquisadores do Laboratório Nacional de Energia de Oak Ridge (ORNL - Oak Ridge National Laboratory) e dez outras instituições dos EUA e da Europa, revelou uma forte relação entre a produtividade de uma floresta sob as condições atuais da atmosfera e sob condições de enriquecimento por dióxido de carbono.

- A resposta indica que um há um aumento de 23% na produtividade em uma atmosfera futura - disse Rich Norby, do ORNL, principal autor do estudo. - O que foi especialmente surpreendente para os pesquisadores foi a consistência da resposta.

      Os pesquisadores analisaram dados de quatro experimentos nos quais uma floresta jovem foi exposta por vários anos a uma atmosfera com a concentração de dióxido de carbono provável para a metade deste século. Os experimentos ocorreram em uma floresta decídua do Tennessee, em uma floresta de pinheiros da Carolina do Norte, uma floreta de Wisconsin e em uma plantação de alta produtividade na Itália.

      O time de pesquisadores calculou a produtividade primária (a fixação anual de carbono por plantas para matéria orgânica) para cada local através da : madeira, folhas e produção de raízes finas. Os resultados foram surpreendentes.

      Análises mais detalhadas das informações revelaram os mecanismos das respostas de produtividade das florestas. Nas florestas que possuem uma quantidade relativamente pequena de área por folhas, a resposta aos níveis elevados de carbono foram explicadas pelo aumento da absorção da luz. Com uma área maior nas folhas, entretanto, a resposta foi um aumento na eficiência da conversão da energia da luz para matéria orgânica. Separando as respostas em área da folha e eficiência na utilização da luz, a análise combina muito bem com análises feitas em larga escala baseadas em imagens de satélite, disse Norby.

      Norby diz que esta análise será de extrema importância como benchmark para avaliar as previsões dos ecossistemas e modelos globais, alarmando que estes estudos não devem ser razão para ignorar as crescentes emissões de dióxido de carbono para a atmosfera.

- Apesar de a fertilização por dióxido de carbono das florestas pode diminuir a velocidade do aumento da concentração de CO2 na atmosfera, um aumento de 23% na produtividade não é suficiente para estabilizar esta concentração. Entender o processo do carbono nos ecossistemas continua sendo um desafio prioritário para as pesquisas – disse ele.

      Este estudo, financiado principalmente pela divisão de Ciência e Pesquisas Biológicas e Ambientais do DOE (Departamento Of Energy) e pela National Science Foundation. (CarbonoBrasil, 19/12)

 

Banco Mundial respalda instalação de papeleiras no Uruguai

19/12/2005

      O Banco Mundial deu ontem (19/12) respaldo ao projeto de construção de duas plantas de produção de papel e celulose na costa do Uruguai. Com base em um estudo preliminar, a entidade sustentou que o projeto cumpre os requisitos técnicos e que não vai piorar a qualidade da água nem do ar.

- De uma perspectiva técnica, em termos de emissões das plantas, dizemos claramente em nosso estudo que as análises que fazemos demonstram que as fábricas cumprem nossos requisitos de melhores práticas–, afirmou Bill Bulmer, diretor adjunto do Departamento Socioambiental ligado àquela corporação mundial.

      Deve-se, contudo, levar em conta que se trata de um informe preliminar. Agora, o Banco Mundial vai iniciar uma rodada de consultas durante dois meses, entre vizinhos da região e especialistas em meio ambiente, a fim de emitir um parecer definitivo.

      Por esse motivo, as autoridades do Banco Mundial esclareceram que não tomarão uma decisão sobre o assunto - a entidade financiará a construção das papeleiras - até terem a conclusão de uma ampla consulta sobre o seu impacto, principalmente no turismo argentino, uma vez que as fábricas serão localizadas em área próxima à fronteira entre a Argentina e o Uruguai.

      O projeto compreende a instalação de duas unidades de produção de pasta celulósica em Fray Bentos, no Uruguai. A vizinhança de Gualeguaychú, na província argentina de Entre Ríos, que está em margem oposta, opõe-se ao empreendimento porque considera que contaminará a região e acarretará conseqüências nocivas para o turismo e outras atividades econômicas.

      Houve vários protestos neste sentido, e o último realizou-se no domingo (18/12), quando cerca de cinco mil pessoas marcharam até a Ponte Internacional General San Martín, que liga Gualeguaychú e Fray Bentos.

      A marcha foi denominada Caravana da Resistência e, entre os manifestantes, havia uruguaios e argentinos. A organização do protesto foi do Fórum de Assembléias Ambientais da Costa do Uruguai, que nasceu da luta contra as papeleiras.

      A marcha abarcou duas pontes internacionais: Gualeguaychú-Fray Bentos e Colón-Paysandú. Em Colón, entre outros, estava o Prêmio Nobel Adolfo Pérez Esquivel, clamando pela retirada das papeleiras. (Fonte: Clarín, 19/12)

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