|
|
![]() A água, fonte e início da vida, tem sido motivo de guerra, migração e disputa territorial ao longo da história da humanidade. O Estado do RS como um todo sofre com o déficit hídrico. Durante anos os municípios do estado declaram estado de calamidade no verão, não tendo o aporte mínimo de água para saciar a sede de populações e animais. Pipas de água são trazidas de localidades em melhores condições para abastecer a população atingida pela seca e são feitos racionamentos d'água com muitas horas de duração. Só no ano de 2004 um percentual de 85% dos municípios declararam estado de calamidade pela falta de água (FEPAM, 2005). O Pampa, que tem características de um verão seco, sofre muito com a falta de chuva e sofrerá de maneira irreversível as conseqüências das monoculturas de árvores exóticas. No Espírito Santo segundo Overbeek (2005), os eucaliptos muitas vezes estão plantados nas nascentes e ao longo do curso dos rios. Pode contaminar o curso d'água, devido as aplicações de formicidas e herbicidas. O Eucalipto é conhecido e utilizado tradicionalmente para "secar banhado". Estudos da Abraf(2005) comprovam que a água disponível para o crescimento do eucalipto é proveniente da camada superficial do solo e Calder(1992) acrescenta: "Quando um eucalipto é plantado em áreas onde as raízes têm acesso às águas subterrâneas, como por exemplo quando plantado próximo à canais de irrigação, não há nenhuma dúvida que as taxas de crescimento são mais elevadas por um fator ao menos de cinco, e que o consumo da água é provável ser aproximadamente proporcional." Está claro portanto, que o eucalipto consome tanto águas superficiais quanto subterrâneas, significando isso um maior crescimento, exatamente como a indústria e os plantadores querem! O preço que se paga para isso é a diminuição do nível do lençol freático e a seca de banhados (nascentes) e rios. Há diferentes estudos tratando do consumo de água pelo Eucalipto. Segundo Buckup (2005), em um ano, uma árvore de eucalipto consome 36,5 mil litros de água. Estima-se que as 28 milhões de árvores que estarão no solo gaúcho, consumirão mais água do que chove no estado do Rio Grande do Sul. Outros estudos comprovam que o Eucalipto consome pelo menos 200 litros de água por dia. Como, em um hectare, costumam ser plantadas 1.100 árvores, 220.000 litros de água serão consumidos por dia. Para produção de celulose a necessidade de água é ainda maior. Para 1 tonelada de celulose são necessárias 120.000 litros de água. Em um dia a fábrica utiliza 1.750.000 m3 de água, o equivalente ao consumo diário de uma cidade com 2,8 milhões de habitantes (Acción Ecológica), como a região metropolitana de Porto Alegre! Abaixo das águas superficiais da região do Pampa encontram-se o importante manancial de águas: O Aqüífero Guarani, considerado a maior reserva de água doce subterrânea do mundo. Ao Brasil cabe 7% do Aqüífero. A compra de terras nesta região, se tornará estratégica especialmente no futuro, quando a falta de água no mundo se tornará ainda mais crítica. Paradoxalmente, as monoculturas de árvores exóticas podem comprometer o Aqüífero Guarani, pela intensa contaminação que causam os agrotóxicos (WRM) necessários ao mantimento da plantações nos moldes lucrativos para as empresas. O eucalipto é conhecido por atingir grandes profundidades em busca de água, o que é fácil em um solo arenoso, como o do Pampa. Após a plantação de Eucalipto a disponibilidade de água e o nível de água do lençol freático da região diminui, a exemplo do que aconteceu no Povo das Flores - Uruguai que trocou de nome para Povo da Seca (Filipini, 2005). Segundo Ana Filipini: "Nos lugares onde a umidade é pouca, os eucaliptos plantados chegaram a secar poços artesianos de até 30 metros de profundidade, deixando sem água o povo". Enquanto se exporta água na forma de madeira e celulose: a comunidade local fica sem água, inclusive para suas necessidades básicas; os campos antes férteis viram desertos!! |
|