O terror das exóticas:
A AMEAÇA AO BIOMA PAMPA
DESTRUIÇÃO DA ÁREA AGRICULTÁVEL
ARENIZAÇÃO DOS SOLOS FÉRTEIS
ESCASSEZ DE ÁGUA
AMEAÇA À SAÚDE DA POPULAÇÃO
AUMENTO DE "PRAGAS"
PERDA DA BIODIVERSIDADE
EXTINÇÃO DAS PLANTAS
EXTINÇÃO DE ANIMAIS
A LUTA PELAS TERRAS
A FALÁCIA DO MERCADO DE CARBONO
A FALÁCIA DA GERAÇÃO DE EMPREGO E RENDA
A FALÁCIA DA DEMANDA POR MADEIRA BRASILEIRA
A FALÁCIA DA CERTIFICAÇÃO
REFERÊNCIAS
A FALÁCIA DO MERCADO DE CARBONO

         Segundo a FASE (2005), o novo comércio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, incentivado pelo Banco Mundial (PCF - Fundo Piloto de Carbono) transformou a fotossíntese em mercadoria através das cotas de emissão de carbono. As cotas podem ser intercambiadas entre os países ditos desenvolvidos - são os maiores poluidores - e os pobres que vendem sua baixa poluição. O primeiro mundo, continua com suas altas emissões de carbono. No final das contas, quem polui continua com seu modelo de desenvolvimento destruidor.

         Usando um pretexto ambiental, as monoculturas de árvores exóticas são disseminadas pelos países pobres. Plantações de eucalipto são tombadas como captadoras de carbono enquanto as matas nativas são tombadas ao chão. Enquanto as grandes corporações transnacionais lucram muito encima da retórica ecológica, o proprietário nativo não recebe incentivo algum para manter as florestas e campos. Se objetivassem realmente a conservação, as cotas de carbono, subsídios e incentivos deveriam ser usados para manutenção das matas e campos nativos.

         Segundo Ricardo Carrere e Ana Fillipini, uruguaios líderes do Movimento Mundial Pelas Florestas Tropicais (WRM), os solos de pradarias são grandes depósitos de carbono e sua destruição para o plantio de eucaliptos libera grande quantidade de Carbono antes fixado, levando a um balanço negativo, o que é um contra-senso na questão da mudança climática. Isso é intencionalmente ignorado pelas empresas que buscam exclusivamente o lucro e as vantagens futuras nos créditos bancários de carbono (Pinheiro, 2005).

         Segundo Machado (2004), a pesquisa realizada por Sara F. Wright, de Agricultural Research Service Beltsville, USA, comprova que os campos nativos tem grande capacidade de estocar gás carbônico. Acontece que nele é encontrado o fungo Glomales sp. que produz a enzima glomalina, que age como uma cola ampliando a capacidade do solo em estocar gás carbônico. Através de um manejo adequado do solo, como o Pastoreio Racional Voisin os campos nativos podem entrar na mesma cadeia de venda de carbono, alcançando valores de venda de U$ 990,00 há/ano.

         Embora os eucaliptos quando comparados a plantas C3 possam ter uma maior eficiência na absorção de carbono, por serem C4, todo carbono retorna para natureza. Ao final do ciclo de sete anos as árvores são cortadas devolvendo para o Planeta todo o carbono fixado. Esta liberação se dá quando o papel é decomposto na natureza. Na decomposição do papel/papelão, além do gás carbônico é liberado gás metano, muito prejudicial para a camada ozônio.

         Quando comparado com a fixação de gás carbônico realizado nos oceanos, o eucalipto é menos eficiente. Segundo Pinheiro (2005) "fixar carbono atmosférico com eucalipto é até quinze vezes menos eficiente que fixá-lo nas águas dos Oceanos. Entretanto as empresas de papel e celulose liberam nos seus efluentes dezenas de toneladas de substâncias orgânicas aromáticas (AOX) que são alguicidas, perniciosos ao fitoplâncton e inibidores da fixação de carbono nos oceanos".

  
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www.defesabiogaucha.org/terror/terror11.htm