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![]() O argumento utilizado para as monoculturas de árvores e instalação de um pólo de produção de celulose é a geração de emprego e renda. A formação de um pólo madeireiro é "vendido" como "a solução" à pobreza e crise enfrentada pela agropecuária no pampa brasileiro. Entretanto, os números de geração de empregos além de duvidosos parecem repetir estratégias de marketing já realizadas em outras localidades. De'Nadai (2005) ao comparar os dados de geração de emprego nos balanço anuais da empresa Aracruz, com os fornecidos à imprensa e constatou que não conferiam. Segundo os autores, as empresas de papel e celulose, além da própria publicidade, têm muitos parceiros que contribuem para passar a idéia de grande geradora de empregos e renda. Assim como existe o "greenwashing" das empresas para criar uma imagem "verde", há também o "jobwashing". O jobwashing é uma tática de marketing que dá a entender que as empresas proporcionam muito mais empregos do realmente existem. Esta tática está baseada em números absurdamente maiores veiculados na imprensa, números estes sem nenhum nexo com a realidade. A oferta de emprego promovida pelas monoculturas de árvores exóticas não alcança os índices oferecidos nem mesmo pela pecuária extensiva. Dados do pampa uruguaio indicam que mil hectares de pecuária geram 5,4 empregos, enquanto plantios de eucalipto geram 4 empregos na mesma área (Filipini, 2005). No ES a Veracel ao substituir 73.000 ha de pastagens para criação de gado, por 73.000 ha para monocultivo de eucalipto, está substituindo uma atividade que gerava um emprego em cada 99 hectares (pecuária), por outra atividade que gera apenas um emprego por cada 78 hectares como é a monocultura de árvores (De' Nadai, 2005). Sobre as causas da pobreza na metade sul do estado do RS, Elvino Bohn Gass (2005) lança o questionamento, apontando como as principais delas o latifúndio e a baixa diversificação da atividades econômicas. Neste mesmo sentido Sérgio Leite (Ibase, 2004), professor em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Rural do Rio de Janeiro ressalta que o setor de assentamentos rurais, onde se pratica geralmente pequena agricultura, constitui hoje um campo especial para uma política consistente de manutenção e geração de novos empregos. No RS, como uma alternativa aos produtores para vencer a crise no setor agropecuário a maioria das plantações está terceirizada, ou seja os plantios são feitos em terras particulares através do Fomento Florestal, Caixa/RS. Essa terceirização ocasiona a precarização das condições de trabalho. As empresas se livram da responsabilidade e dos processos ambientais e trabalhistas que ficam a cargo dos produtores. Um exemplo disso foi o que ocorreu na empresa terceirizada Plantar, no ES: a ocorrência de mortes de trabalhadores da Plantar nas monoculturas da Aracruz Celulose levou, em 2002, o Ministério Público Federal do Trabalho (MPT) a instaurar um inquérito sob sigilo. Este inquérito levou a um Termo de Ajustamento de Conduta, assinado pelo MPT e pela Plantar, obrigando a empresa a seguir uma série de procedimentos para assegurar a saúde e a segurança dos trabalhadores (De'Nadai, 2005). Devido às artimanhas da terceirização, os trabalhadores colocam em risco a própria vida e os produtores ficam a mercê do preço da madeira estipulado pela Empresa. O mercado para o eucalipto celulósico é monopsônico, isso é, só tem um comprador, que é quem determina o preço (Pinheiro, 2005). Por toda América Latina, as condições inadequadas de trabalho nos campos se repetem: "Em toda a América Latina as piores condições de trabalho são encontradas nas monoculturas de árvores e extrativismo de madeira. É onde há maior incidência de trabalho escravo e infantil. O tipo de trabalho que oferece é sazonal (plantio, mata-formiga e corte), criando o "bóia-fria do eucalipto". Um processo muito próximo à servidão econômica e humana se está instalando" (Pinheiro, 2005). Após a implantação das monoculturas criam-se novas frentes de trabalho para vencer as dificuldades. Assim surgiu no Espírito Santo uma nova possibilidade de trabalho para as comunidades vizinhas: a catação dos restos de eucalipto. Estas pessoas que utilizam um recurso que não será aproveitado pelas empresas são hoje proibidas desta prática, sendo perseguidas pelos capatazes da empresa com a ajuda de policiais e tratadas como criminosas (Overbeek, 2005). De acordo com De'Nadai (2005) é preciso revalorizar o trabalho humano que muitas vezes não se traduz em um emprego formal. Muitas comunidades vivem dos bens que a natureza oferece, ali constituem seus valores culturais, tem acesso ao alimento, realizando práticas cotidianas que não são necessariamente convertidas em moeda corrente. A destruição da qualidade ambiental compromete a própria sobrevivência destas comunidades. Estas mesmas populações são inicialmente empregadas nos plantios, sem saber os riscos que as plantações podem representar no futuro. Muitos são os casos de aumento da pobreza após a chegada das Empresas, devido a destruição da natureza, da mata nativa e produtos associados, perda de plantas medicinais, de campos agricultáveis e contaminação da água (WRM). A ARACRUZ Celulose, por exemplo, é uma empresa transnacional cujas ações são: 28% pertencentes ao Grupo Lorentzen, da Noruega, 28% a Votorantim, empresa brasileira de Antônio Hermínio de Moraes, 28% ao Banco Safra, do Brasil, 12,5% ao BNDES (De'Nadai, 2005). Grande parte das ações destas empresas são de origem estrangeira, como o Banco Safra que tem maioria das ações pertencentes a coroa inglesa (Pinheiro, 2005). Os benefícios estarão voltados para o país de onde vêm. As empresas exportadoras no Espírito Santo não pagam ICMS, com isto o Estado do Espírito Santo deve R$ 200 milhões à ARACRUZ (Overbeek, 2005). "O pior é que no Espírito Santo, além de não gerar impostos pela crise no mercado, ao ser uma empresa dedicada à exportação, se credita ao valor do Imposto Não Aplicado - ICMS - como un crédito que se habilita e deve ser depositado na sua conta pelos contribuintes." (Pinheiro, 2005). |
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