Grupo de educação ambiental da VCP para quem e por quê???
Publicado no Jornal Minuano, Bagé, em 14/Jul/2004

João Rockett

Grupo de educação ambiental da VCP para quem e por quê??? Publicado no Jornal Minuano, Bagé, em 14/Jul/2004 * João Rockett

      Assistimos, no último 30 de Junho, a um grupo de biólogos da VCP (Votorantim Celulose e Papel), difundir o programa de "educação ambiental" para as escolas fundamentais de Bagé. No entanto, o que era para ser educação ambiental, e que já era esperado, passou a ser propaganda de plantios de eucaliptos, e pouco a pouco nos levando a crer, ou tentando ao menos passar a idéia, que plantar eucaliptos é uma coisa boa - há um estigma de que plantar arvores é uma coisa boa… depende de que árvores, quantas serão plantadas e de que espécie, exóticas ou não, e por fim aonde, e aí sim, podemos fazer uma avaliação.

      Qual o interesse de uma empresa ou empresas como a VCP e a Aracruz Celulose do mesmo grupo, em implementar na região, programas de educação ambiental, exatamente onde estas estão comprando terras para o plantio de eucaliptos, como que abrindo um caminho para o que será um problema sócio-ambiental, dando uma conotação ao desinformados de que estas empresas estariam realmente preocupadas com as questões ambientais.

      As propostas são "tentadoras" pois ao final do contrato o proprietário recebe de volta a terra; bem, para as empresas é mais barato comprar uma terra nova do que fazer outros novos investimentos para recuperar a área, afinal sabemos como fica um solo depois do plantio com eucaliptos.

      Vejamos, as plantações não são bosques. As plantações são plantios uniformes, que substituem aos bosques nativos - por exemplo no sul do Chile, norte do Brasil e Indonésia - e as pradarias, caso do Uruguai, sul do Brasil e Sul da África - são as substituições de infinitas gramíneas e leguminosas, por fileiras intermináveis de arvores.

      A substituição de ecossistemas naturais, por monoculturas de plantações florestais em grande escala provocam geralmente impactos negativos:

  • diminuição do recursos hídricos - reservas de água subterrânea e fluxo de água superficial;
  • aumento do número e riscos de incêndios;
  • redução da fertilidade do solo, modificando a estrutura e a composição, aumentando a erosão e a compactação dos mesmos;
  • alteração da rica e diversa fauna e flora da nossa região diminuindo drasticamente a biodiversidade;
  • impacto social gerando mão de obra temporária, que no Brasil chamamos de bois frias.

      Ou seja, as empresas vão embora levando seus lucros e nós ficamos sem solo, e isto não um caso isolado aqui no Brasil, é sem duvida um problema mundial, que demanda novas atitudes com relação a estas ações sob pena de comprometermos a qualidade de vida das próximas gerações.

* João Rockett é permacultor em Bagé, no RS, onde coordena o IPEP, Instituto de Permacultura e Ecovilas da Pampa.

E-mail: ipep@permacultura.org.br

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