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A expansão da monocultura de árvores exóticas pode ser responsável pelo declínio e até mesmo a extinção de 26 espécies da fauna dos campos gaúchos. Segundo Glayson Benke, um dos autores do Livro Vermelho da Fauna ameaçada em extinção no RS, atualmente cinco dessas espécies têm a plantação de eucaliptos e pinus como ameaça direta. Porto Alegre, 22/10/2005 - O réptil lagartinho-pintado e as aves noivinha-de-rabo-preto, caminheiro-grande, caboclinho-de-barriga-preta e veste-amarela correm risco de desaparecer em função do megaprojeto do governo gaúcho de expandir a área de plantações comerciais de árvores na metade sul e no nordeste do Estado. Conforme Benke, estes animais, sendo exclusivos destas regiões de campos ensolarados, não se adaptam ao novo ambiente de floresta que é sombrio. "Nos campos de cima da serra, por exemplo, nós temos espécies que têm no alastramento de pinus a principal causa da redução de sua população e, sem dúvidas em algumas dé cadas, do seu desaparecimento completo", explica. "Como elas não toleram esse ambiente sombrio têm que buscar outras áreas e, se não as encontram, tendem a sucumbir", afirma o biólogo. O Rio Grande do Sul possui, atualmente, aproximadamente 400 mil hectares de monocultura de eucalipto, pinus e acácia. A estimativa é de que, em um pouco mais de uma década, as terras gaúchas, em sua maior parte formadas por campos nativos, terão mais de 1 milhão de hectares ocupados por plantações comerciais de árvores. Isto porque o governo gaúcho pretende instalar três grandes fábricas de celulose até 2010. Com a justificativa de desenvolver a economicamente retraída metade sul do estado, planeja-se a inauguração, em poucos anos, de uma unidade da Stora Enso, uma da Votorantim Celulose e Papel e de uma nova unidade da Aracruz nesta região. Cada uma capaz de produzir 1 milhão de toneladas de celulose branqueada/ano, o que necessitaria de uma pujante e vigorosa base 'florestal' de eucaliptos, composta inicialmente de pelo menos 300 mil novos hectares. Além dos impactos na diversidade da fauna, a plantação de árvores exóticas pode ainda trazer outras conseqüências ambientais. De acordo com Carla Villanova, do Núcleo Amigo da Terra/Brasil, sem um sério estudo sobre os impactos sócio-ambientais não é possível prever o real impacto desta expansão na flora riograndense, nos solos, nos recursos hídricos e na própria cultura gaúcha. Para debater os problemas e perigos da expansão das áreas com plantios comerciais de árvores exóticas, o NAT/Brasil estará promovendo, dia 27 de outubro, o seminário 'Os impactos da Expansão das Monoculturas de Árvores no RS: contra a substituição do campo nativo pela plantação de eucaliptos e Pinus', na Faculdade de Economia da UFRGS. Mais informações pelo telefone 3388 5696. Plantações de árvores exóticas: não ultive esta idéia. Nossos campos e coxilhas agradecem Lista dos animais em extinção no RS Informações: NAT/Brasil 3388 5696 amigosdaterra@natbrasil.org.br Jornalista Daniele Sallaberry 8125-8049 |
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